quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

5 motivos nada fashions para se usar calça legging









Alguns chatos sempre me perguntam porque eu só uso calça legging. Então vamos aos motivos:

1) eu como igual a um bebê rinoceronte

2) eu bebo igual a um caminhoneiro tarado

3) calça legging disfarça as gordurinhas

4) estica que é uma beleza

5) sou igual ao Robin Hood (que usa legging verde): só dou pra pobre.

Respondido, peruas?! Bessos!

Roteirista frustrada, redatora dedicada

Deus não me fez com seios fartos, bunda redonda e altura de pavão. Com esse físico nada onipresente e um cérebro mediano, eu tinha duas escolhas na vida: ser prostituta no Brás ou escrever. Como sou preguiçosa, optei por escrever.

Meu lado mulher sempre fez eu querer me expressar demais, meu lado homem sempre me mandou calar a boca. Graças a lei Maria da Penha, resolvi mandar esse meu lado homem enfiar os dedos no próprio rabo, então decidi assumir de vez o meu lado neurótica de ser. Sabe, pra mim escrever é acabar com a censura interna. Eu já acordo censurando as roupas que vou usar, passo a tarde censurando o que vou falar para as pessoas e termino me censurando na hora de dormir - afinal carboidratos engordam. Como diria Lispector: "Escrever é como cagar, alivia e evita que a merda vá até a cabeça".

Aos 18 anos não sabia bem o que queria da vida. Fiz tanta merda nessa época que até casei com o meu primeiro namorado. Já casada, fui morar com ele no Japão e devido as nossas brigas comecei a escrever num blog sobre elas. Lá eu podia zoar bastante o meu ex-marido através de metáforas, verdadeiras figuras!
Depois de terminar o meu casamento, voltei ao Brasil e comecei a me alfabetizar de novo. Entrei num cursinho, comecei a ver mais filmes do que já via, comecei a ler  Dostoiévski.  Através desse rapaz maroto e problemático, com qual me identifico muito, percebi que o mundo é um grande marketing. Todo relacionamento envolve troca, jogatina e muito jogo de cintura. Queria muito ser escritora, roteirista e essas coisas, mas eu gosto de comer bastante - e a gente sabe que só com muita sorte e genialidade à la Woody Allen é que se pode comer bem.

Aí um belo dia estava fuçando no Youtube da vida e vi um comercial  da Coca Cola chamado Big Splash, feito pela Ogilvy. A parada misturava um universo lúdico malucão e tinha como trilha sonora o vocalista da minha banda favorita, The Ramones, fazendo cover da música What A Wonderful World do Louis Armstrong. Embora tenha achado a assinatura fraca, logo pensei clichezadamente "É isso que eu quero fazer, cara". Prestei vestibular pra ESPM e pra FAAP porque sabia que as duas eram fodas no mercado, mas como eu sempre tive esperanças de ser roteirista, pensei que a FAAP seria mais interessante por ter um curso de cinema fodido. Tudo jogatina dostoievskiana dessa mente! Quando comecei a fazer o curso de publicidade na FAAP, entrei meio que na paranoia com o meu lado adolescente - afinal tive uma fase punk, grande parte da minha ideologia e do meu conhecimento musical veio dessa cena.

Bom, vamos acabar com esse lero-lero todo e terminar a minha apresentação logo. Nunca fui dentro dos padrões em nada, nem na minha família, nem amigos, nem na ordem cronológica da vida. Como um dia eu precisarei me sustentar sozinha, resolvi virar uma profissional da crianção para também entender o mundo através de sua própria estrutura: a propaganda. Afinal a ideologia do ser humano é buscar sempre uma fuga da realidade, não é mesmo? Eu, como todo ser humano, adoro usar o entretenimento pra fazer isso. Então por que não usar essa minha vontade de criar para, de certa forma, deixar essa fuga um pouco mais emocionante. É tipo tunar um carro: ele está ali todo cru, aí eu vou lá e o deixo mais coloridão e charmoso. As pessoas gostam de carro - e as especiais de rock 'n' roll. Cheers!

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Doce vida de cão



Eu tenho um lar?
Eu tenho um lar!
Meu lar é onde meu cachorro está.
E se ele estiver na rua?
Então na rua é onde devo morar.
E se ele estiver em um abrigo?
Então é lá onde o meu coração ficará.
E se estiver no Congresso Nacional  do Brasil?
Ora, tirá-lo-ei de lá.
Mas e se insistir em ficar por lá?
Que morra!


Ceráceo - suja nostalgia



Pode parecer anormal e soar como um filme Z trash e muito podrão, mas o que me veio à mente foi uma das cenas mais bonitas da minha infância: minha mãe sentada no sofá e eu deitada com a cabeça sobre suas pernas, aí ela começa a cutucando meu ouvido com um grampo para tirar aquele ceráceo nojento e fedido de dentro dele.

Não sei por que raios esse flash rolou na minha mente, só sei que me fez sorrir. Parece sujo e imoral - imoral porque hoje em dia as revistas de saúde dizem que não se deve cutucar o ouvido de uma criança com um grampo, mas isso é bullshitagem, eu estou bem "ouviva". 


Mas agora minha cera é inventada. Sempre que alguém fala merda, eu finjo que estou com o ouvido transbordando ceráceo.


Moral do post: não limpe o ouvido.

Coração digital




1024 Megabytes de alcateias enfurecidas
dominam, destroem e devoram uma geração
à cada 12 bits por segundo.

Antes uma geração esquecida,


depois uma geração perdida,


Agora uma geração cyber-autorizada:


 cyber cook, cyber shot, cyber life.


Relacionamentos à moda monetária-computadorizada.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Quero desrespeitar a vida




Voltar a ficar sem minha mãe me causou uma grande tristeza, mas foi em meio a prantos e lamentações que me veio a lembrança da família Ramos.


Num de seus piores infortúnios, essa me consolou com piadas altamente chocantes sobre sua própria tragédia - daquelas que não se deve contar nem em velório de político safado. Eu sabia que as pessoas dessa família estavam sofrendo, mas que venceriam todos os caprichos maldosos da vida com suas felicidades e otimismo. Então isso logo me confortou.


Quer saber? Nestas horas, fodam-se os filósofos, os poetas e os religiosos. O que realmente importa é a sinceridade dos lábios das pessoas, que conseguem vivenciar todos os sentimentos - como se usassem uma espécie de filtro feito de bom humor.


Um dia quero ser assim também. Quero alegrar as pessoas mesmo estando triste como estou. Quero refletir honestidade. Quero rir de mim mesma. E, principalmente, quero tirar sarro de todos os meus problemas. 


Afinal, um dia vou embora - vai saber pra onde, quando e como. Eu não quero ser aquela que só contribuiu com o estresse amargurado do sistema e aceitou a submissão da tristeza. Quero ser aquela que desrespeitou a vida.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Deus existe, mamãe?



O garotinho Leonardo Lipovestsky, que está naquela fase de questionar tudo, pergunta à sua mãe:
 -Mamãe, Deus existe?

Com toda serenidade do mundo, a mulher  responde:
 - Claro, Leozinho, meu filho.

Confuso, Leonardo, indaga:
 -Ué, por que ele não ajuda quem tem fome, mamãe?

E a mulher responde:
 - Ora, Leozinho, é porque, assim como todo criativo, Deus é esquecido, tem dislexia. Ele fica muito ocupado praticando brainstorm. Um dia ficou tão ocupado com isso que criou o ornitorrinco, acho que nem ele sabe pra que serve aquele bichinho. É por isso ele esquece de algumas coisas de vez em quando, mas, fundo, ele é uma boa pessoa. Só é meio relaxado.

Leonardo rebate com outra pergunta:
 - Mas, mamãe, por que ele não manda os ajudantes dele ajudar a quem precisa?

A mãe explica, com a calma de sempre:
 - Leozinho, devem existir mais de 7 bilhões de pessoas no mundo inteiro. As pessoas boas que morrem viram anjinhos e ajudam as pessoas que estão vivas. Mas vamos combinar que não existem muitas pessoas vivas a fim de ajudar os outros, né? Quando morrem, estas pessoas desgraçadas só querem saber de ficar na farra, aí os anjinhos ficam sobrecarregados e não dão conta de ajudar todo mundo que precisa.

Leozinho, indaga assustado:
- E agora, mamãe? O que faremos?

A mulher abraça o garotinho assustado e responde:
- Filho, somos todos reflexos de Deus. O jeito é tomar metade de um prozac, tomar uma pinguinha e esquecer das coisas.